O inventário florestal é um processo importante na gestão e conservação das florestas. Ele consiste na coleta e análise de dados sobre os recursos florestais, incluindo informações sobre a quantidade, qualidade e distribuição das árvores e outras plantas em uma determinada área. Este processo é fundamental para diversas finalidades, como a conservação da biodiversidade, o manejo sustentável dos recursos florestais, a avaliação de estoques de carbono, entre outros.
Como fazer?
Defina os objetivos determinando as finalidades do inventário, bem como a metodologia a ser utilizada, os parâmetros a serem medidos além de delimitar a área de estudo identificando e mapeando onde o mesmo será realizado.
Classificações:
1. Inventário Florestal Contínuo
- Objetivo: Monitorar as mudanças ao longo do tempo. Realizado periodicamente (anualmente, a cada 5 anos, etc.) para acompanhar a evolução da floresta, o crescimento das árvores e a regeneração natural. Ideal para manejo sustentável e estudos de dinâmica florestal.
2. Inventário Florestal de Exploração
- Utilizado para planejar a exploração madeireira. Focado na avaliação da quantidade e qualidade da madeira disponível para corte. Utilizado por empresas madeireiras para determinar a viabilidade econômica da exploração e para o planejamento da colheita.
3. Inventário Florestal para Conservação
- Avalia a biodiversidade e a saúde do ecossistema. Inclui a identificação de espécies, avaliação de habitats e monitoramento de espécies ameaçadas. Crucial para unidades de conservação, parques nacionais e reservas ecológicas.
4. Inventário Florestal Nacional
- Fornece uma visão abrangente dos recursos florestais de um país. Realizado em grande escala, abrangendo todo o território nacional. Fundamenta políticas públicas, relatórios internacionais e compromissos ambientais.
5. Inventário Florestal Regional ou Estadual
- Tem como objetivo avaliar os recursos florestais em uma região específica. Abrange estados, províncias ou regiões, fornecendo dados detalhados para planejamento e gestão local. Utilizado por governos estaduais ou regionais para gestão de recursos e políticas locais.
6. Inventário Florestal de Carbono
- Utilizado para estimar os estoques de carbono na floresta, focado na medição da biomassa e do carbono armazenado em árvores, solo e matéria orgânica. Importante para projetos de sequestro de carbono e mitigação das mudanças climáticas.
7. Inventário Florestal Simplificado
- Utilizado para coleta rápida de dados básicos. Menos detalhado, focado em informações essenciais como número de árvores, volume de madeira e área florestal. Adequado para levantamentos preliminares e áreas pequenas.
8. Inventário Florestal de Diagnóstico
- Serve para avaliar a situação inicial de uma floresta antes de implementar um projeto ou manejo. Fornece uma visão geral do estado atual da floresta, incluindo estrutura, composição e saúde. Útil para novos projetos de manejo florestal ou conservação.
9. Inventário Florestal Específico
- Focado em características específicas, como presença de espécies valiosas ou árvores com valor ecológico. É personalizado para atender a necessidades específicas de pesquisa ou manejo. Sendo assim pode ser usado para projetos de pesquisa, conservação de espécies específicas ou manejo de produtos não madeireiros.
Métodos:
Amostragem de área fixa é uma das técnicas mais comuns e eficazes utilizadas no inventário florestal. Neste método, as áreas de amostragem são pré-determinadas e fixas, e as medições são realizadas em todas as árvores dentro dessas áreas.
As parcelas de amostragem são delimitadas em locais estratégicos dentro da área de estudo. Elas podem ter formas e tamanhos variados, mas geralmente são quadradas ou retangulares. São localizadas de acordo com um plano de amostragem previamente definido. Isso pode ser feito de forma aleatória, sistemática ou estratificada, dependendo dos objetivos do inventário.
Como vantagens deste método tem-se a praticidade e simplicidade na instalação das parcelas em campo, sendo aplicável tanto para inventários de florestas nativas quanto de florestas plantadas. Além disso, permite a obtenção de vários dados como área basal, volume e distribuição diamétrica. Outra vantagem é a alta correlação entre medições sucessivas em inventários contínuos. As desvantagens incluem o maior custo para estabelecer e manter os limites das unidades amostrais, bem como o elevado número de árvores a ser medido nas unidades, em comparação com outros métodos de amostragem. E também a variabilidade espacial, onde a distribuição irregular das árvores e das características do terreno pode afetar a representatividade das parcelas.
A amostragem de área variável, também conhecida como amostragem por ponto ou amostragem por fator de área, é uma técnica utilizada no inventário florestal que difere da amostragem de área fixa. Em vez de usar parcelas de tamanho fixo, esta técnica utiliza pontos de amostragem e um instrumento óptico, como o relascópio de Bitterlich, para determinar quais árvores serão incluídas na amostra com base no diâmetro da árvore e sua distância ao ponto de amostragem. Este tipo de amostragem pode ser utilizado em alguns tipos de inventários, como os inventários rápidos de estoque ou de pré-corte, que exigem maior rapidez.
Os pontos de amostragem são distribuídos na área de estudo de forma sistemática, aleatória ou estratificada. No ponto de amostragem, utiliza-se um instrumento como o relascópio de Bitterlich ou um prisme de cruzamento. Este instrumento ajuda a determinar se uma árvore deve ser incluída na amostra com base em seu diâmetro e a distância do ponto de amostragem. A árvore é incluída na amostra se a imagem da árvore vista através do relascópio é mais larga do que a largura da abertura do instrumento. Todas as árvores incluídas na amostra são medidas quanto ao diâmetro à altura do peito (DAP), altura total ou altura comercial e identificadas quanto à espécie.Cada árvore incluída tem um fator de expansão que corresponde à área da floresta que ela representa. Este fator é calculado com base no diâmetro da árvore e no ângulo basal utilizado no relascópio.Os dados coletados são utilizados para estimar parâmetros como área basal, volume de madeira, biomassa e outros. As estimativas são feitas utilizando os fatores de expansão para extrapolar os resultados para toda a área de estudo.
As vantagens da amostra variável é que permite uma coleta de dados mais rápida, pois não é necessário demarcar parcelas fixas no campo.; é mais flexível pois é adequado para áreas com densidades de árvores variáveis, pois ajusta automaticamente o número de árvores amostradas de acordo com a densidade local; e a tendência de amostrar proporcionalmente mais árvores de maior diâmetro, o que pode ser vantajoso para certos tipos de análise florestal. Já como desvantagens ela requer mais treinamento e prática para utilizar corretamente os instrumentos ópticos; necessita de instrumentos específicos como o relascópio, que podem ser caros. E os fatores de expansão podem introduzir variações adicionais nos dados se não forem calculados corretamente.
A amostragem variável é utilizada para estimar volumes de madeira e biomassa em florestas manejadas para produção, em estudos de estrutura florestal, distribuição diamétrica e outras características ecológicas, e em programas de monitoramento florestal contínuo, onde a eficiência e a precisão são essenciais.
